Ouvidoria é 1º órgão a admitir por escrito fechamento de vagas para 2016

A Ouvidoria da universidade admitiu, em reposta a questionamento de aluno da pós-graduação, que no início de 2016 não serão recebidas crianças nas creches da USP para preencher as vagas das que se formarem e deixarem a instituição.

Ao mesmo tempo, afirmou que apenas os irmãos de filhos de funcionários que já frequentam as creches poderão se matricular para o próximo ano. Ou seja, os irmãos de filhos alunos, que sempre tiveram direito a entrar, ficarão de fora. Essas decisões não foram discutidas com a comunidade e, segundo os dirigentes das creches, nem mesmo com o pessoal encarregado da gestão das unidades.

“Diante das dificuldades econômicas que o país atravessa, a Reitoria não autorizou a abertura de vagas em creches para novos alunos em 2016. No entanto, autorizou a matrícula de irmãos de crianças (filhos de funcionários) já atendidas pelas creches e que continuem matriculadas em 2016″, informou a Ouvidoria.

A Ouvidoria repete os argumentos da Reitoria que não condizem com a verdade. As creches têm capacidade para atender mais 89 crianças imediatamente e só não estão atendendo por ingerência da própria Reitoria. E, de qualquer forma, estes estabelecimentos de educação infantile são centros de pesquisa e extensão, algo que não entra na conta dos gestores da universidade.

“O orçamento da Universidade de São Paulo está comprometido, na sua totalidade, com despesas de pessoal, o que impõe a tomada de providências no sentido de tornar sustentável a gestão de todo o patrimônio que lhe cabe”, informa a Ouvidoria.

“A USP sempre cumpriu a obrigação legal de oferecer creche ou auxílio creche para os filhos de servidores docentes e não docentes. Hoje são 3.240 auxílios (R$ 22,1 milhões/ano) além de 480 crianças atendidas em creches próprias (R$ 26 milhões/ano). Trata-se de uma política de recursos humanos que apesar do flagrante desequilíbrio está se sustentando.”

É a primeira vez que algum órgão da universidade admite oficialmente o fechamento das vagas que deveriam ser preenchidas no ano que vem com a saída dos alunos que se formaram. Pelo segundo ano consecutivo, as vagas permanecem fechadas, um desperdício de material humano e físico, além de recursos públicos.

A Reitoria da maior universidade da América Latina mantém silêncio sobre a questão, contrariando um dos princípios básicos da gestão pública: a transparência.

Ao mesmo tempo, a Ouvidoria, que em seu site afirma ter como missão ser “órgão independente e neutro que auxilia estudantes, professores e funcionários, a resolver de maneira justa, os problemas que surgem no dia a dia da universidade”, se revela mais um instrumento da Reitoria.

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