Vitória no CO foi “pelo trabalho de mobilização das creches”, diz RD

 

Tuani Guimarães de Ávila Augusto, suplente do representante discente da Pós-Graduação no CO, Douglas Anfra, ambos da chapa Pós Ativa, Voz Ativa, conta em entrevista como foi a vitória das creches no Conselho Universitário no último dia 8 de novembro.

Ela, que também é vice-presidenta da regional de São Paulo na Associação Nacional de Pós-Graduandos, e aluna do Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos, conta que a vitória foi um trabalho conjunto de RDs, Sintusp e Adusp. Além disso, afirma que se não fosse a atuação da Comissão de Mobilização das Creches junto aos docentes, o resultado seria diferente.

Leia abaixo a íntegra da entrevista que Tuani nos concedeu, em que oferece um panorama dos bastidores do CO, que incluem cenas de autoritarismo e machismo explícito, além de arbitrariedades do reitor contra seus desafetos.

Blog Pelas Creches da USP – Por que você incluiu o dispositivo em favor das creches?

Tuani Augusto – Muita gente tem vindo me agradecer por essa inclusão, mas a minha atuação no Conselho Universitário (CO) não é uma ação pessoal. Por trás do destaque houve muito trabalho e mobilização e por uma questão decidida em conjunto e por um atropelo da reitoria, eu que tive que pedir o destaque para o preenchimento das vagas ociosas para as creches como Diretriz Orçamentária de 2017.
Para vocês entenderem: para ir ao CO nós nos preparamos para as questões que estão em pauta, temos pouco tempo para isso já que a pauta só nos é apresentada cerca de uma semana antes. Ainda assim sempre procuramos nos preparar para as reuniões para nos alinharmos às demandas dos movimentos sociais de trabalhadores e de estudantes, já que acreditamos numa Universidade Popular, Pública, Gratuita, de Qualidade e Democrática. Nesse caso, nós somos os integrantes da Chapa Pós Ativa, Voz Ativa, pela qual fui eleita como Representante Discente Suplente de Pós-Graduação no Conselho Universitário. Meu titular Douglas Anfra não pode comparecer ao CO. Ele me informou sobre a reunião, me entregou a pauta, pois o suplente não consegue acessar a pauta no sistema da USP (sim, a USP não preza pela transparência e a pauta não é divulgada de maneira pública). Ele participou de reuniões com o Sintusp e Adusp e me enviou os relatos das reuniões. Então, quando eu cheguei ao CO, os representantes discentes de pós-graduação e parte dos de graduação, e os representantes do Sintusp já tinham decidido conjuntamente que esse seria um destaque que iríamos propor quando abrisse a pauta das Diretrizes Orçamentárias. Só foram aceitas 5 inscrições de fala para a discussão das Diretrizes. Em uma das pautas anteriores, a título de comparação, foram inscritos 22 conselheiros. Como eu consegui me inscrever e não sabia se os outros de nós conseguiriam eu pedi os 2 destaques combinados conjuntamente: um sobre reajustes na política de permanência e outro sobre o preenchimento das vagas ociosas da creche. Depois de mim a representante discente da graduação endossou o destaque.

Blog Pelas Creches da USP – Em sua opinião, por que a votação acabou sendo favorável às creches?

Tuani Augusto – A votação foi muito apertada, e com certeza conseguimos uma expressividade na votação por todo o trabalho de mobilização das creches. Esse trabalho sensibilizou e conscientizou, ao longo de todos esses ataques da reitoria, os docentes que são a esmagadora maioria dos componentes do Conselho Universitário. É importante destacar que as abstenções nessa votação se referem a um voto envergonhado, alguns possuem votos sempre alinhados à reitoria e nesse momento preferiram se abster mesmo tendo firmado um compromisso com a mobilização das creches anteriormente.

Blog Pelas Creches da USP – Publicamos a transcrição das falas do Reitor. Ele não foi muito cavalheiro com você, não acha?

Tuani Augusto – Nem cavalheiro e muito menos respeitoso. Primeiro fui desrespeitada no momento em que solicitei um direito de resposta direcionado ao Professor Nolasco, e ele falou: ‘comporte-se’. E eu espero que isso tenha sido registrado em ata. Os casos de desrespeito no CO são comuns, principalmente à representação discente, ao Sintusp e às mulheres. Posso citar mais outros dois casos que aconteceram nesta reunião do Conselho: 1) O Bruno, representante do Sintusp, que teve seu direito de fala negado, mesmo estando inscrito. 2) Uma professora da FFLCH foi desrespeitada pelo Diretor da Poli que, sem apresentar nenhum argumento razoável, deslegitimou a fala da professora, um caso claro de machismo, e quando a mesma pediu direito de resposta, o Zago não quis que isso acontecesse e o Vahan (Vice-Reitor) chamou a próxima inscrição. No caso, era a minha, e eu sinalizei que de maneira nenhuma falaria antes que o direito de resposta fosse concedido à professora. Ela, como eu, estava sendo mais uma vítima do machismo naquele Conselho Universitário.
A reitoria, e grande parte do Conselho Universitário, também desrespeitou as/os pós-graduandas/os e graduandas/os quando aprovou o retrocesso ao Regimento de 1969 no qual nos impede de realizar nossas próprias eleições de representação discente para o Conselho Universitário e Conselhos Centrais e nos retirou pelo menos 3 cadeiras de representação nesses conselhos. Isso acontece porque a reitoria tem medo da nossa representação combativa, que inclusive consegue convencer na argumentação a importância da Universidade Pública e do cumprimento de sua função social.

Blog Pelas Creches da USP – Quais os próximos passos dentro do CO para que as creches realmente voltem a receber crianças?

Tuani Augusto – É necessário que fiquemos atentos ao CO em suas pautas, não acredito que o ataque virá através do CO, mas deverá ocorrer administrativamente, como o Zago afirmou. Ele, após perder a votação, falou que agora falta decidir (no caso, “ele” decidir) administrativamente o que são vagas ociosas. Sendo assim, não precisaria de qualquer votação no CO. Por isso, eu acredito que a luta será mais local, com cada uma das creches, para que se faça cumprir a decisão de preencher todas as vagas ociosas.

Blog Pelas Creches da USP – Você conhece o trabalho das creches da USP?

Tuani Augusto – Agora eu posso explicar porque eu defendo as creches junto a todos esses que foram essenciais para que isso fosse aprovado. Acredito que as creches são essenciais para garantir a permanência, principalmente, das mulheres na universidade, para que possam concluir a graduação e pós-graduação. Moro com uma das crianças matriculadas na creche da USP de São Carlos e acompanho diariamente o comprometimento das trabalhadoras e trabalhadores da creche na manutenção de sua qualidade. Vejo o desenvolvimento da Nina e por felicidade posso me surpreender com as novidades que ela traz da creche. Além disso, as creches da USP são referência em pesquisa sobre o Ensino Infantil desenvolvendo novas metodologias de ensino que podem ser apropriadas por todos, e só uma universidade pública pode desenvolver isso. É indissociável às creches da USP atividades como a pesquisa, o ensino e a extensão. Dessa forma, as creches da USP não prestam apenas um serviço à comunidade universitária, mas se integra à comunidade externa através dos inúmeros estagiários que passam por ali e por toda pesquisa desenvolvida que é pública e voltada aos interesses sociais.

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