Representantes traem suas congregações ao votar contra as creches no CO

Representantes de Congregações atuaram contra decisões anteriores dos colegiados de suas próprias unidades ao se abster ou votar contra o preenchimento das vagas ociosas nas Creches/Pré-escolas da USP, aprovado pelo CO no início de novembro. Diretores e diretoras de unidades cujas congregações fizeram moções em favor das creches também deixaram de apoiar a medida.

No CO, toda unidade é – ou melhor, deveria ser – representada pelo diretor ou diretora e por um/a representante da Congregação. Após o início do desmanche do Programa de Educação Infantil da USP, iniciado pelo reitor em 2015 sem dar satisfação à comunidade e ao CO, várias unidades se manifestaram em defesa das creches por meio de moções.

O representante da Congregação da Poli, João Cyro André, foi um dos casos de voto contrário à moção do próprio colegiado que deveria representar. Em 20 de agosto do ano passado, essa Congregação endossou a moção da Faculdade de Educação (FEUSP) sobre o assunto. “A não abertura de vagas nas creches da USP significa uma perda inestimável para as crianças que iriam ingressar e para aquelas que já estão lá”, afirma a moção. No trecho final, a moção da FEUSP “solicita a reabertura imediata das vagas para o devido acolhimento das crianças que a elas têm direito e a contratação de novos funcionários para que se mantenha o trabalho de excelência realizado nas Creches/Pré-escolas”.

A surpresa com a posição de João Cyro de André aumenta quando se sabe que o diretor da Poli, José Roberto Castilho Piqueira, votou a favor do preenchimento das vagas ociosas.

Pior ainda é o caso da Diretora da própria FEUSP, Belmira Oliveira Bueno, que se absteve desta questão, apesar de sua Faculdade formar grande parte dos professores que trabalham nas creches da USP e de sua Congregação ter sido a primeira a se manifestar contra o fechamento delas.

O representante da Congregação do Instituto Oceanográfico (IO), Belmiro Mendes de Castro Filho, também votou contra o preenchimento das vagas ociosas, apesar da moção da Congregação que deveria representar. Neste caso, a decisão da Congregação era até mais recente – foi tomada em 8 de março deste ano – e pedia a manutenção dos serviços das creches. O diretor do IO, Frederico Brandini, também votou contra a congregação de sua unidade e contra as creches.

Fernando Luís Medina Mantelatto, representante da Congregação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, se absteve de votar a favor das creches. Dois órgãos de sua unidade já tinham se posicionado claramente com moções em defesa da Educação Infantil da USP: o Departamento de Educação Informação e Comunicação e o Cindedi (Centro de Investigações sobre Desenvolvimento Humano e Educação Infantil).

Outros diretores que não atenderam as moções de suas congregações em favor do preenchimento das vagas ociosas nas creches foram: Margarida Kunsch, diretora da ECA, e Clodoaldo Grotta, do IME, que se abstiveram.

Voto emblemático foi o de Waldyr Jorge, superintendente da SAS, que administra as creches, e votou contra. Ou seja, ao contrário do que falou em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo em 27 de abril de 2015, Waldyr Jorge se mostrou claramente favorável ao fechamento das creches da USP.

De qualquer maneira, docentes que votam contra o preenchimento de vagas ociosas em creches é o mesmo que médicos se posicionarem contrariamente a ocupação de leitos ociosos por pacientes que precisam de tratamento.

O único representante discente que não foi favorável ao preenchimento das vagas ociosas nas creches foi Daniel Guinezi, graduando da FEA, que se absteve de um dispositivo tão importante para a permanência estudantil.

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Um comentário sobre “Representantes traem suas congregações ao votar contra as creches no CO

  1. Agradeço a este blog por dar publicidade a (mais esta) essa falha na representação dentro desta universidade. Muitos doutores adoram apontar o dedo para a política e dizem que os políticos não representam a nação, mas o que dizer de representantes dos colegiados aqui da USP? Com uma agravante: não é raro os representantes “errarem” em defesa de minorias privilegiadas…

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