Rede Não Cala! divulga nota condenando violência durante reunião do CO

A Não Cala!, rede de professoras e pesquisadoras pelo fim da violência sexual e de gênero na USP, divulgou hoje, dia 22 de março, nota em repúdio à violência praticada pela PM, durante a última reunião do CO, em que uma professora da creche Central e um sindicalista foram espancadas. A ação teve a aprovação do Reitor Marco Antonio Zago.

Lei a íntegra abaixo ou no https://www.facebook.com/naocalausp/posts/1285914274830978

“Manifestamos nosso repúdio em relação à violência cometida contra professores(as), funcionários(as) e estudantes no dia 07 de março de 2017 em frente à reitoria da USP.

Um conjunto de membros da comunidade universitária, de forma democrática, manifestava sua discordância em relação ao projeto que seria votado no Conselho Universitário ( e que foi, infelizmente, muito pouco discutido pela comunidade universitária, a despeito de sua importância) e causa-nos indignação que tenha sido agredido pela Policia Militar com a conivência da Reitoria da Universidade.

Nossa indignação associa-se à perplexidade quando observamos os três pontos que comentamos abaixo.

O primeiro aspecto é que há na discursividade pós-fato uma espécie de acusação das vítimas, algo como: se não estivessem na porta da reitoria se manifestando não teriam sido atingidos. Esta perspectiva é similar ao que acontece com mulheres vítimas de estupro: se não estivessem na festa, na rua escura, de saia curta não seriam atingidas! Ou seja, as vítimas tornam-se culpadas pela violência que sofreram.

O segundo ponto é o fato de que crianças da Creche estavam na frente da Reitoria com suas mães e pais e, no dia seguinte, estariam conosco na Marcha da Mulheres da USP que marcou a luta do dia 08 de março pelos direitos das mulheres, fim da violência e permanência da Creche. Os episódios do dia 7 não nos intimidaram para ocupar as ruas da USP, que são nossas, mas ficamos com medo de levar as crianças vinculadas à comunidade acadêmica, diante do inacreditável fato de que uma ação da tropa de choque tinha acontecido em um manifestação que tinha a presença de crianças!

O terceiro ponto a ser destacado é o desproporcional uso da força, materializado por policiais com cacetetes, escudos e bombas.

Os vídeos e depoimentos atestam o uso desproporcional da força e permitem observar que, dentre os atingidos pela violência, mulheres estão incluídas. Para citar alguns exemplos: uma funcionária ficou com um corte na cabeça, duas professoras foram alvo de violência verbal da polícia, várias mulheres ficaram com olhos e gargantas afetados pelas bombas de gás lacrimogênio e uma funcionária foi cercada por vários policiais e agredida fisicamente até que as imagens do seu celular – que testemunhavam a violência – fossem apagadas.

Lamentamos ainda a manifestação do escritório USP Mulheres, um dia após o ocorrido, que dizia “Na USP não há espaço para violência”.Infelizmente, precisamos mudar o tempo verbal desse enunciado. Na USP não deveria existir espaço para a violência. Enquanto existir , precisamos chamar de violência o que é violência e não banalizar o que é inaceitável.

Somos pelo fim de todas as formas de violência! Especialmente aquela que recebe aquiescência oficial de quem deveria promover o diálogo, que pode por vezes ser difícil, mas fica totalmente inviabilizado com o uso desproporcional da força bruta. Valorizamos a palavra, o respeito e o diálogo, e não calaremos diante de ações que buscam bloquear covardemente vozes dissonantes, porque almejamos uma Universidade democraticamente aberta para a pluralidade de pensamentos e posicionamentos.

Não Cala! Rede de Professoras e Pesquisadoras pelo Fim da Violência na USP”

 

 

 

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